{"id":273,"date":"2022-07-27T14:35:18","date_gmt":"2022-07-27T14:35:18","guid":{"rendered":"https:\/\/monitoreautoclave.com.br\/?p=273"},"modified":"2022-08-23T17:47:39","modified_gmt":"2022-08-23T17:47:39","slug":"esterelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monitoreautoclave.com.br\/en\/esterelizacao\/","title":{"rendered":"Estereliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O conhecimento a respeito do assunto esteriliza\u00e7\u00e3o foi obtido ao longo dos tempos, estando intimamente relacionado ao desenvolvimento da microbiologia, tornando-se praticamente imposs\u00edvel o estudo do primeiro sem nos referirmos ao ultimo. Como se atribui o surgimento da microbiologia \u00e0 tentativa de solucionar o \u201cproblema\u201d da exist\u00eancia da vida e da morte, o conhecimento e o desenvolvimento da esteriliza\u00e7\u00e3o acompanhou passo a passo a solu\u00e7\u00e3o para este problema da antiguidade.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio dos nossos tempos o homem parece ter praticado, de alguma forma, processos de purifica\u00e7\u00e3o e desinfec\u00e7\u00e3o, sendo este \u00faltimo o precursor da esteriliza\u00e7\u00e3o. A utiliza\u00e7\u00e3o de antic\u00e9pticos tais como o piche ou alcatr\u00e3o, resinas e arom\u00e1ticos foram largamente empregados pelos eg\u00edpcios no embalsamento de corpos mesmo antes da exist\u00eancia de uma linguagem escrita. Do trabalho de Her\u00f3doto (484 \u2013 424 a.c), h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que os eg\u00edpcios eram familiarizados com os valores antic\u00e9pticos do ressecamento resultante da utiliza\u00e7\u00e3o de certos produtos qu\u00edmicos como o sal comum. A fuma\u00e7a originada da queima de produtos qu\u00edmicos tamb\u00e9m era utilizada pelos mais antigos com o prop\u00f3sito de desodorizar e desinfetar.<\/p>\n<p>A purifica\u00e7\u00e3o de ambientes e a destrui\u00e7\u00e3o de materiais nocivos e infecciosos atrav\u00e9s do fogo parece ter se originado tamb\u00e9m entre os eg\u00edpcios. A crema\u00e7\u00e3o de corpos de animais e de pessoas, especialmente nos casos de guerras, sempre foi pregado pelos mais antigos como forma de descarte, assim como uma maneira de se eliminar odores desagrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s foi o primeiro a prescrever um sistema de purifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do fogo e, dos livros Lev\u00edtico e Deuteron\u00f4mio, podemos perceber que o mesmo foi respons\u00e1vel pelo desenvolvimento de um processo de purifica\u00e7\u00e3o de ambientes infectados. Os severos mandamentos dados por Mois\u00e9s (cerca de 1450 a.c.) a respeito do descarte de dejetos, sanitiza\u00e7\u00e3o, tratamento e preven\u00e7\u00e3o da lepra, o toque em objetos sujos e a absor\u00e7\u00e3o de alimentos n\u00e3o limpos formam a base do primeiro c\u00f3digo sanit\u00e1rio estabelecido pelos antigos Hebreus. Digno de nota tamb\u00e9m, \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o da tatuagem (Lev. 19:28) com o intuito de prevenir a transmiss\u00e3o de hepatite atrav\u00e9s da agulha contaminada e o relacionamento das moscas \u00e0 transmiss\u00e3o de doen\u00e7as. Tomando-se como partida as leis estabelecidas por Mois\u00e9s, v\u00e1rios sistemas de purifica\u00e7\u00e3o foram adotados.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria registra que os pensadores da antiguidade nunca duvidaram de que, sob condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, a vida, tanto animal como vegetal, parecia surgir de forma espont\u00e2nea. Certos fil\u00f3sofos gregos da antiguidade defendiam a teoria de que animais eram formados da umidade. Emp\u00e9docles (450 A.C.), um defensor da fumiga\u00e7\u00e3o como meio de combater epidemias, atribu\u00eda \u00e0 gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea a exist\u00eancia de todos os seres vivos que habitavam a terra. Arist\u00f3teles (384 D.C.) pregava que \u201canimais s\u00e3o formados algumas vezes em solos putrefatos, algumas vezes em plantas e algumas vezes em fluidos de outros animais. O mesmo Arist\u00f3teles formulou o seguinte princ\u00edpio: \u201c toda subst\u00e2ncia seca que se torna \u00famida ou todo corpo \u00famido que se torna seco produz criaturas vivas, provando que isto \u00e9 para nutri-los\u201d. Durante esta \u00e9poca, \u00e9 digno de nota que Hip\u00f3crates (460-370 D.C.), o maior de todos os m\u00e9dicos, respons\u00e1vel pela dissocia\u00e7\u00e3o da filosofia da medicina, reconheceu a import\u00e2ncia da \u00e1gua fervendo para a limpeza de feridas, das m\u00e3os e unhas e o uso de compressas nas feridas.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de 900 a 1500 D.C. \u00e9 tido como uma era de decad\u00eancia e estagna\u00e7\u00e3o. A imund\u00edcie, a pestil\u00eancia e a praga arrasaram toda a Europa. Tentativas foram feitas para combater a pestil\u00eancia em hospitais, lazaretos e casas infectadas atrav\u00e9s de solu\u00e7\u00f5es de limpeza, aera\u00e7\u00e3o, vapores de palhas queimadas, de enxofre, antim\u00f4nio e ars\u00eanico. Este per\u00edodo testemunhou o surgimento de enfermarias mon\u00e1sticas sob a influ\u00eancia da igreja.<\/p>\n<p>Fracat\u00f3rio, o primeiro epidemiologista do mundo, publicou seu famoso trabalho \u201cDe Contagione\u201c, o qual versava sobre a pestil\u00eancia a\u00e9rea. Ele presumia a exist\u00eancia de impercept\u00edveis \u201csementes de doen\u00e7a que se multiplicavam rapidamente\u201d. Em adi\u00e7\u00e3o a isso, ele declarou que doen\u00e7as eram disseminadas de tr\u00eas formas: contato direto, manuseio de objetos manipulados por doentes e pela transmiss\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>A DESCOBERTA DA BACT\u00c9RIA<\/strong><\/p>\n<p>A exist\u00eancia da bact\u00e9ria foi considerada poss\u00edvel por muitas pessoas antes mesmo que esta fosse descoberta. No entanto, a prova de sua exist\u00eancia teve que esperar o desenvolvimento e a constru\u00e7\u00e3o de um equipamento adequado \u00e0 observa\u00e7\u00e3o e ao estudo das formas de vida microbianas, o microsc\u00f3pio. Neste ponto, precisamos dar cr\u00e9dito a Antonj van Leeuwenhoek pela perfei\u00e7\u00e3o das lentes de curta dist\u00e2ncia focal por ele desenvolvidas. Utilizando estas lentes, foi poss\u00edvel, pela primeira vez, a visualiza\u00e7\u00e3o das formas maiores de bact\u00e9rias. Em 1863 ele observou e descreveu uma grande variedade de formas microbianas em v\u00e1rios fluidos corporais, descargas intestinais de animais, \u00e1gua e cerveja com alto grau de precis\u00e3o. Leeuwenhoek tamb\u00e9m fez importantes contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 anatomia microsc\u00f3pica sendo tido, por certas autoridades, como real descobridor dos corp\u00fasculos sangu\u00edneos. As observa\u00e7\u00f5es de Leeuwenhoek e o desenvolvimento do microsc\u00f3pio foram respons\u00e1veis pela funda\u00e7\u00e3o da bacteriologia e reabriu a quest\u00e3o concernente \u00e0 fermenta\u00e7\u00e3o e doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>A DOUTRINA DA GERA\u00c7\u00c3O ESPONT\u00c2NEA<\/strong><\/p>\n<p>Seguindo a descoberta da bact\u00e9ria, a quest\u00e3o antiga relacionada \u00e0 gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de coisas vivas tornou-se assunto de discuss\u00e3o. Alguns poucos indiv\u00edduos combatiam a teoria, mas a cren\u00e7a geral era de que as bact\u00e9rias se originavam espontaneamente e esta cren\u00e7a permaneceu at\u00e9 que Louis Pasteur finalmente pos fim \u00e0 quest\u00e3o atrav\u00e9s de experi\u00eancias convincentes realizadas em 1862. Um dos primeiros oponentes \u00e0 teoria foi L. Spallanzani, que em 1765 demonstrou que o ato de ferver uma infus\u00e3o de mat\u00e9ria decomposta por 2 minutos, n\u00e3o era suficiente para destruir todos os micr\u00f3bios; mas quando a infus\u00e3o era colocada em um frasco hermeticamente fechado e fervido por uma hora, n\u00e3o ocorria nenhuma gera\u00e7\u00e3o de micr\u00f3bios ou fermenta\u00e7\u00e3o, enquanto o frasco permanecesse selado. Apesar de Spallanzani ter provado, para sua pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o, que o poder vegetativo n\u00e3o existe em mat\u00e9ria inanimada, ainda era mantido por alguns, notadamente John Needham (1713\u2013 781) e George Buffon (1707\u20131788), que o processo de fervura tinha enfraquecido ou destru\u00eddo a \u201cfor\u00e7a Vegetativa\u201d, prevenindo assim que a gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea tivesse lugar.<\/p>\n<p>O ataque \u00e0 gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea continuou em 1836 com Franz Schulze, que falhou em encontrar evid\u00eancias de organismos vivos em infus\u00f5es fervidas nas quais o ar tinha sido admitido ap\u00f3s sua passagem atrav\u00e9s do \u00e1cido sulf\u00farico. Experimentos similares foram conduzidos por Theodor Schwann em 1837. Excetuando-se o fato de o ar admitido ter sido aquecido a temperaturas elevadas, os resultados foram os mesmos, ou seja, nenhum crescimento bacteriano ou fermenta\u00e7\u00e3o foi observado. Neste ponto \u00e9 interessante observarmos que Schvann considerava que o processo de fermenta\u00e7\u00e3o poderia ser freado ou inibido por um agente capaz de destruir fungos, tais como o calor e o Arsenato de Pot\u00e1ssio. Devido a esta cren\u00e7a, Schwann \u00e9 considerado por v\u00e1rias autoridades, o fundador da ci\u00eancia de desinfec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1854, H. Schroeder e T. Von Dusch fizeram contribui\u00e7\u00f5es adicionais a favor das for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Estes pesquisadores empregaram uma nova t\u00e9cnica de admiss\u00e3o de ar no interior de frascos de fervura de infus\u00f5es, atrav\u00e9s da filtra\u00e7\u00e3o do ar por meio de uma camada de tecido de l\u00e3. Isto foi feito para combater os argumentos contra poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es nas propriedades do ar que poderiam ocorrer nos experimentos de Schulze e Schvann, gerando condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis ao suporte \u00e0 vida. Apesar de os resultados terem mostrado que solu\u00e7\u00f5es est\u00e9reis foram obtidas por este m\u00e9todo, foi provado, mais tarde, que o mesmo procedimento n\u00e3o obteve sucesso na preven\u00e7\u00e3o da fermenta\u00e7\u00e3o do leite, carne ou ovo, a menos que estes materiais fossem submetidos \u00e0 fervura prolongada a 100oC, aquecido em um banho de \u00f3leo a 130oC ou aquecido no \u201cdigestor de Papin\u201d.<\/p>\n<p>No ano de 1859 o problema da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea permanecia ainda em estado de incerteza. A primeira estaca seria a prova decisiva da presen\u00e7a de micr\u00f3bios na atmosfera. A controv\u00e9rsia foi agravada pelo aparecimento de uma publica\u00e7\u00e3o intitulada \u201cHeterogenie\u201d, escrita por F. A. Pouchet. Aparentemente, o autor teria repetido os experimentos de Schulze e Scwann e seus resultados foram diametralmente opostos aos achados anteriores. Pouchet tamb\u00e9m ridicularizou a id\u00e9ia de que organismos estivessem presentes na atmosfera, sendo este um ponto de vista conflitante com a corrente razo\u00e1vel de Pasteur de que os microorganismos respons\u00e1veis pela fermenta\u00e7\u00e3o viessem de fora do material fermentado.<\/p>\n<p><strong>LOUIS PASTEUR<\/strong><\/p>\n<p>A fim de conhecermos as contribui\u00e7\u00f5es de Pasteur no desenvolvimento da arte da Esteriliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio voltarmos ao ano de 1860. Neste ano Pasteur completou com brilhantismo suas pesquisas sobre a causa microbiana da fermenta\u00e7\u00e3o e estava pronto para iniciar seus estudos sobre o problema da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Pasteur iniciou seu ataque \u00e0 teoria da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea com uma investiga\u00e7\u00e3o microsc\u00f3pica do ar atmosf\u00e9rico, e com a ajuda dos dispositivos mais engenhosos da \u00e9poca, demonstrou que o ar, em diferentes localidades, diferia em seu conte\u00fado de microorganismos. Com a disciplina que lhe era peculiar, Pasteur comprovou experi\u00eancias antigas realizadas por Schwann, Schroeder e Von Dusch, mostrando que ap\u00f3s passar o ar atrav\u00e9s de um filtro de algod\u00e3o, este continha part\u00edculas organizadas similares em apar\u00eancia a esporos e, se estas articulas fossem introduzidas em fluidos est\u00e9reis e nutritivos, era induzida a fermenta\u00e7\u00e3o. Pasteur mostrou finalmente que a fermenta\u00e7\u00e3o em infus\u00f5es fervidas poderia ser prevenida, se o gargalo do frasco fosse prolongado e unido a um tubo em forma de U. Desta forma os organismos e as part\u00edculas de poeira presentes no ar poderiam entrar pela extremidade aberta do tubo em U, mas devido a aus\u00eancia de correntes de ar os microorganismos seriam incapazes de subir pela outra extremidade do tubo para alcan\u00e7ar o conte\u00fado do frasco. Com este tipo de frasco ele tamb\u00e9m mostrou que a fermenta\u00e7\u00e3o poderia ser induzida imediatamente, agitando o aparato de forma a permitir o contato entre a infus\u00e3o e os organismos depositados do tubo em U. Este experimento foi o maior golpe contra a doutrina da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia desta fase do trabalho de Pasteur pode ser sumarizada no fato de, onde os investigadores anteriores desenvolviam experimentos visando demonstrar a aus\u00eancia da fermenta\u00e7\u00e3o em infus\u00f5es est\u00e9reis em contato com o ar livre de germes, Pasteur n\u00e3o apenas fez isso, como tamb\u00e9m provou que os microorganismos presentes no ar eram, de forma inquestion\u00e1vel, respons\u00e1veis pelas mudan\u00e7as que ocorriam em suas solu\u00e7\u00f5es est\u00e9reis.<\/p>\n<p>O grande resultado pr\u00e1tico desta fase do trabalho de Pasteur n\u00e3o \u00e9 apenas o fato dele ter posto um fim \u00e0 controv\u00e9rsia a respeito da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, mas tamb\u00e9m o fato de suas observa\u00e7\u00f5es sobre a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica pelas bact\u00e9rias, terem pavimentado o caminho para a cirurgia anti-s\u00e9ptica de Lister, que revolucionou a pr\u00e1tica cir\u00fargica pelo mundo.<\/p>\n<p>Um dos \u00faltimos defensores da doutrina da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea foi o m\u00e9dico ingl\u00eas Bastian. Em 1876, Bastian atacou o trabalho anterior de Pasteur, o qual estabelecia que a urina, esterilizada atrav\u00e9s da fervura, n\u00e3o era suscet\u00edvel \u00e0 fermenta\u00e7\u00e3o e nem mostrava evid\u00eancias de crescimento bacteriano ap\u00f3s incuba\u00e7\u00e3o. Bastian afirmava que esta esterilidade era obtida apenas sob certas condi\u00e7\u00f5es e, se a urina fosse tornada alcalina no in\u00edcio, seria observado, frequentemente, algum crescimento bacteriano. Como resultado disso, ficou demonstrado que l\u00edquidos \u00e1cidos poderiam ser tornados est\u00e9reis atrav\u00e9s da fervura, uma vez que certos organismos n\u00e3o destru\u00eddos pelo processo de fervura, eram incapazes de se desenvolverem em meios \u00e1cidos. Por outro lado, se o meio fosse tornado levemente alcalino, as bact\u00e9rias sobreviventes cresceriam e se multiplicariam livremente.<\/p>\n<p>Esta controv\u00e9rsia com Bastian finalmente levou ao estabelecimento do fato de certos micr\u00f3bios existentes na natureza serem capazes de resistir a prolongados per\u00edodos de fervura a 100oC. Anteriormente acostumado a ferver seus l\u00edquidos a uma temperatura de 100oC, Pasteur viu-se for\u00e7ado a ferv\u00ea-las agora a temperaturas de 108oC a 120oC, visando assegurar a esterilidade. O costume de levar os l\u00edquidos \u00e0 temperatura de 120oC a fim de garantir a esterilidade data deste conflito com Bastian.<\/p>\n<p>Visando alcan\u00e7ar as exig\u00eancias de m\u00e9todos mais efetivos e eficazes de esteriliza\u00e7\u00e3o, a temperaturas mais elevadas do que a de ebuli\u00e7\u00e3o, Pasteur foi levado a desenvolver novos dispositivos e equipamentos. Durante este per\u00edodo (1876-1880) de avan\u00e7os nas t\u00e9cnicas bacteriol\u00f3gicas, Charles Chamberland, pupilo e colaborador de Pasteur, foi respons\u00e1vel por desenvolver o primeiro esterilizador \u00e0 press\u00e3o de vapor, ou autoclave, com o qual era poss\u00edvel alcan\u00e7ar temperaturas iguais ou superiores a 120oC.<\/p>\n<p>O equipamento desenvolvido por Chamberland era equipado com uma v\u00e1lvula de seguran\u00e7a e um dispositivo na tampa, que poderia ser aberto para aliviar a press\u00e3o gerada pelo aquecimento. O equipamento continha ainda uma pequena quantidade de \u00e1gua e os materiais a serem esterilizados ficavam suspensos acima da \u00e1gua trav\u00e9s de prateleiras. Este equipamento pode ser considerado o precursor de nossos esterilizadores modernos.<\/p>\n<p>As pesquisas de Pasteur n\u00e3o se restringiam \u00e0 fermenta\u00e7\u00e3o ou \u00e0 teoria da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Mais importante foi o estabelecimento, e a verifica\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio, da verdadeira teoria das doen\u00e7as causadas por germes. Talvez seja suficiente dizer que a literatura n\u00e3o registra contribui\u00e7\u00e3o maior para esteriliza\u00e7\u00e3o do que o pronunciamento feito por Pasteur em 30 de abril de 1878, frente a academia de medicina:<\/p>\n<p>\u201cSe eu tivesse a honra de ser um cirurgi\u00e3o, t\u00e3o convencido como eu estou dos perigos causados pelos germes de micr\u00f3bios espalhados pela superf\u00edcie de cada objeto, particularmente nos hospitais, eu n\u00e3o penas utilizaria instrumentos absolutamente limpos, como limparia minhas m\u00e3os com o m\u00e1ximo cuidado e colocaria as mesmas sobre uma chama, e utilizaria apenas esponjas, bandagens e tecidos os quais tivessem sido previamente aquecidos \u00e0 130oC \u2013 150oC; utilizaria apenas \u00e1gua que tivesse sido aquecida \u00e0 temperatura de 110oC-120oC. Tudo isso \u00e9 facilmente obtido na pr\u00e1tica, e, desta forma, ainda teria medo dos germes suspensos na atmosfera ao redor da cama do paciente ; mas observa\u00e7\u00f5es nos mostram todos os dias que o n\u00famero desses germes \u00e9 quase insignificante se comparado \u00e0queles espalhados na superf\u00edcie de objetos, ou na \u00e1gua mais l\u00edmpida.\u201d<\/p>\n<p><strong>MICR\u00d3BIO E MICROBIOLOGIA<\/strong><\/p>\n<p>Em 1878, Charles Sedillot, um cirurgi\u00e3o franc\u00eas, introduziu o termo micr\u00f3bio durante uma discuss\u00e3o na academia de medicina em Paris. Sua inten\u00e7\u00e3o era criar um termo adequado para descrever um organismo vivo t\u00e3o pequeno que s\u00f3 pudesse ser visualizado atrav\u00e9s do microsc\u00f3pio. Na sociedade cient\u00edfica o termo micr\u00f3bio n\u00e3o ficou muito popular, tendo ent\u00e3o dado origem ao termo microorganismo. Pasteur considerava tamb\u00e9m que o temo bacteriologia era muito limitado, e sugeriu que a nova ci\u00eancia em desenvolvimento se chamasse microbiologia.<br \/>\n<strong><br \/>\nIGNAZ SAMMELWEIS<\/strong><\/p>\n<p>Um dos primeiros defensores do desenvolvimento de uma barreira as\u00e9ptica foi o obstetra H\u00fangaro Ignaz Sammelweis. Apesar de saber pouco sobre a causa de doen\u00e7as causadas pelos germes, \u00e9 importante reconhecermos que a asepsia pregada por um ponto de vista emp\u00edrico, inquestionavelmente, salvou as vidas de muitas mulheres das garras da febre puerperal.<\/p>\n<p>Em 1847, na maternidade de Viena, Sammelweis instituiu a regra de que todos os estudantes deveriam lavar suas m\u00e3os em uma solu\u00e7\u00e3o clor\u00eddrica de lim\u00e3o e esfregar as suas unhas com uma escova antes de adentrar nas enfermarias ou iniciar exames internos nas pacientes. Com esta simples medida, a taxa de mortalidade em sua enfermaria foi reduzida de 18% em 1847 para 1,27% dos 3.556 pacientes em 1848. O marcante sucesso de Sammelweis na preven\u00e7\u00e3o de febre nas parturientes, infelizmente o distanciou de seus colegas em Viena e Budapeste. A afirma\u00e7\u00e3o de que a sujeira das m\u00e3os dos m\u00e9dicos era respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o de doen\u00e7as \u00e0s pacientes, era uma afronta ao orgulho profissional, tornando sua posi\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel. Em 1861 Sammelweis publicou \u201ca causa e preven\u00e7\u00e3o da febre puerperal\u201d, mas ele n\u00e3o conseguiu convencer seus cr\u00edticos da necessidade de lavar as m\u00e3os antes do contato com as pacientes puerperes.<\/p>\n<p><strong>A DESCOBERTA DA RESIST\u00caNCIA AO CALOR DA BACT\u00c9RIA<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da esteriliza\u00e7\u00e3o seria considerada incompleta, a menos que fosse dado o devido reconhecimento \u00e0 descoberta das fases de resist\u00eancia ao calor das bact\u00e9rias. Por esta contribui\u00e7\u00e3o estamos em d\u00e9bito com o f\u00edsico ingl\u00eas John Tyndall. Em 1876 ele fez a sua entrada neste campo com uma s\u00e9rie de pesquisas devotadas aos fen\u00f4menos da fermenta\u00e7\u00e3o e da putrefa\u00e7\u00e3o. Antes desta \u00e9poca Tyndall estava voltado para o problema dos germes e poeiras na atmosfera atrav\u00e9s de um feixe concentrado de luz que ele pr\u00f3prio desenvolveu, realizando uma s\u00e9rie de testes para a detec\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria suspensa no ar e na \u00e1gua. Tyndall acreditava firmemente que os microorganismos presentes no ar estavam associados a part\u00edculas de poeira. Com o aux\u00edlio de uma engenhosa c\u00e2mara de madeira equipada com uma frente e janelas laterais em vidro, atrav\u00e9s das quais era passado um feixe de luz, ele demonstrou que ar livre de poeira, que n\u00e3o espalhasse o feixe de luz n\u00e3o iniciaria o crescimento em tubos de infus\u00e3o fervida expostos a ele.<\/p>\n<p>Estudos seguintes realizados por Tyndall revelaram que infus\u00f5es preparadas com feno velho e seco eram mais dif\u00edceis de serem esterilizadas por fervura do que aqueles preparados com feno fresco. Esta observa\u00e7\u00e3o o levou a investigar extensivamente a resist\u00eancia ao calor das bact\u00e9rias. Atrav\u00e9s de in\u00fameros experimentos, Tyndall finalmente concluiu que em certos per\u00edodos na hist\u00f3ria da vida de organismos, estes desenvolvem fases de resist\u00eancia ao calor nas quais fica mais dif\u00edcil mat\u00e1-los, mesmo com fervura prolongada. O est\u00e1gio de resist\u00eancia ao calor da bact\u00e9ria, fase conhecida como esporo, tamb\u00e9m foi detectado por Pasteur e descoberto independentemente pelo bot\u00e2nico alem\u00e3o Ferdinand Cohn, em 1876.<\/p>\n<p>Fica claro, atrav\u00e9s das publica\u00e7\u00f5es de Tyndall, que o mesmo estava ciente da import\u00e2ncia da umidade no crescimento e na destrui\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias. Sua an\u00e1lise da import\u00e2ncia da transfer\u00eancia de vapor do l\u00edquido circundante para a c\u00e9lula da bact\u00e9ria visando sua destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 similar \u00e0 teoria aceita atualmente.<\/p>\n<p>Tyndall deu origem ao m\u00e9todo de esteriliza\u00e7\u00e3o fracionada atrav\u00e9s do aquecimento intermitente. Este m\u00e9todo foi originalmente desenvolvido como um meio pr\u00e1tico de esterilizar infus\u00f5es contendo formas de bact\u00e9rias resistentes ao calor. O processo consistia no aquecimento de infus\u00f5es at\u00e9 seu ponto de ebuli\u00e7\u00e3o em cinco etapas consecutivas com intervalos apropriados de espera \u00e0 temperatura ambiente. O prop\u00f3sito dos intervalos de espera entre os per\u00edodos de aquecimento era permitir o tempo suficiente para os esporos bacterianos resistentes mudarem, ou germinarem em um est\u00e1gio vegetativo mais suscept\u00edvel.<\/p>\n<p>A esteriliza\u00e7\u00e3o fracionada, que mais tarde ficou conhecida como Tyndaliza\u00e7\u00e3o, foi a precursora do esterilizador por vapor sem press\u00e3o idealizado por Robert Koch e seus associados em 1880-1881. O processo de Tyndaliza\u00e7\u00e3o constituiu-se em um importante avan\u00e7o no desenvolvimento de m\u00e9todos pr\u00e1ticos de esteriliza\u00e7\u00e3o. Sua utilidade e popularidade podem ser comprovadas pelo fato de, nos dias de hoje, este procedimento ser seguido por muitos laborat\u00f3rios visando a esteriliza\u00e7\u00e3o de meios sens\u00edveis ao calor por 30 minutos, em tr\u00eas dias consecutivos. Tyndall concluiu que na hist\u00f3ria de vida das bact\u00e9rias podem haver duas fases distintas: Uma termo-sens\u00edvel e outra incrivelmente termo-est\u00e1vel.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conhecimento a respeito do assunto esteriliza\u00e7\u00e3o foi obtido ao longo dos tempos, estando intimamente relacionado ao desenvolvimento da microbiologia, tornando-se praticamente imposs\u00edvel o estudo do primeiro sem nos referirmos ao ultimo. 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